Biblioteca Básica…Em busca de uma vida literária mais sustentável.

Nesse sábado postei um vídeo com esse título, BIBLIOTECA BÁSICA, onde falo sobre os últimos 14 anos como leitora e consumidora do mercado editorial.

É engraçado encontrar alguns padrões de comportamento entre nós, leitores, enquanto consumidores ao que se refere as promoções de sites e etc. Isso em algum nível é esperado e até previsível. O que eu não esperava era a recepção do vídeo.

Ele foi muito bem recebido! Até mais do que eu esperava… Algo parecido com o que foi o vídeo de COMO NOS TORNAMOS LEITORES no ano passado.

Acredito que compartilhar nossas experiências tem sido imensamente prazeroso e esclarecedor de tantas formas.

No vídeo de sábado, através dos comentários de muitos de vocês, notei também um novo fenômeno em nossos hábitos de consumo que não havia me dado conta antes…e talvez só percebesse quando saísse em alguma matéria sobre o assunto.

Foi o modo como hoje utilizamos o ebook como degustação, como forma de nos certificarmos de que um livro é bom e que vale a pena investir na cópia física. Desse papel dos e-readers e dos ebooks que não havia me dado conta antes… e que agora parece fundamental e bastante contraria ao que muitos temiam no principio, sobre o fim do livro e etc e tal. Talvez aconteça como uma seleção natural dos títulos que devem ganhar cópias físicas ou não…

Alguns dos comentários ainda estão ressonando em minha mente, mas para começar já me parece excelente essa nova descoberta que para alguns deve ser velha.

Enfim… Assistam o vídeo e compartilhem seus pensamentos comigo e se tiverem o tempo leiam alguns dos comentários postados no vídeo.

ASSISTA O VÍDEO AQUI

Então eu li… Golem e o Gênio de Helene Wecker.

Em 2013 enquanto guardava uma pilha de livros novos que tinham acabado de chegar da importação na livraria, um em especial chamou minha atenção. Ele tinha um arco na capa e o título parecia convidativo. The Golem and the Jinni.

Você pode ver o vídeo aqui.

Alguns anos se passaram até que nos reencontrássemos, dessa vez graças a Darkside. Mas se tem uma coisa que o livro ensina… é que essas coisas acontecem. Pequenos acasos nunca são realmente acasos, tudo está conectado.

Nova York, virada do século XX. Temos duas criaturas míticas andando por NY tentando se misturar em meio a população.

Chava, a Golem, uma criatura feita de barro que deve obedecer e servir a seu mestre. Criada através de técnicas pouco convencionais na Cabala.

Ahmad, o Gênio ou Djim, uma criatura de fogo que vivia no deserto sírio até ser aprisionado em uma garrafa.

Ambos acabam por obra do destino em NY, vivendo em suas respectivas comunidades, judaica e árabe e apresentando para o leitor as relações entre os moradores delas.

A autora dá uma panorama das duas comunidades, suas tradições e valores, as bases fundamentais de suas culturas. Mostra as diferenças culturais desses dois povos e também as semelhanças.

Os protagonistas são contrapontos. Chava criada para acreditar no que lhe diziam, aceita o que lhe é imposto. Enquanto Ahmad, tem seu próprio povo, sua cultura e se sente preso e questiona seu lugar na cidade desconhecida.

O relacionamento entre os personagens durante o livro todo chama atenção.

O livro por vezes muda de foco, entre flashback do Djim e de outros personagens ‘menores’ durante a trama, estabelecendo conexões entre eles e gerando extrema simpatia com o leitor.

É um período curioso para se escrever sobre as duas comunidades que logo nas primeiras décadas do Séc XX entram em conflito, que dura até hoje.

Mas a autora explica que por ela ser judia e o marido árabe, é uma realidade em que vive… é a história de sua família. Viver como minoria em uma cultura estrangeira o que afeta os relacionamentos entre a família e fora dela.

Enfim, Helene Wecker misturou seres míticos com sua própria história e transformou nesse livro sensacional que definitivamente vale a pena ler!

Manipular a história para que ela se molde ao mundo como você o vê  é uma atividade no mínimo fascinante, poder explicar através dela os resultados obtidos após décadas… é curioso para dizer o mínimo. E não é isso que é ser um escritor?

Recomendo! Para ler sem pressa, apreciar página à página.

84 Charing Cross Road e a Duquesa de Bloomsbury de Helene Hanff.

A culpa é da ISA! rs

Foi assistindo esse vídeo dela que pausei, fui comprar o livro e acabamos aqui.

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Nunca te vi sempre te amei ou 84 Charing Cross Road é a história de Helele Hanff, uma roteirista de teatro que mora em NY, e Frank Doel, um livreiro britânico.

Ao buscar livros mais baratos para completar sua biblioteca, Helene acaba se deparando com um anuncio da livraria Marks & Co  em Londres, onde a recessão pós guerra e uma economia retraída, oferece preços mais acessíveis a solteirona amante dos livros mas com poucos recursos. Lá ela encontra um paraíso de possibilidades.

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Assim começa um relacionamento de 20 anos, através de cartas, entre Helene e a equipe da livraria.

A história curiosa acabou sendo compilada, através das cartas trocadas, no livro de grande sucesso nos anos 70.

Acompanhamos as manias literárias de Helene, sua vida simples e dedicada aos estudos. A vida de Frank com sua esposa e filhas e de outros funcionários da livraria. Aos poucos eles passam a fazer parte uns da vida dos outros compartilhando alegrias e tristezas, trocando presentes e palavras de conforto.

O livro foi especialmente reconfortante para mim enquanto livreira. É relacionamento que todo livreiro sonha! Ter no cliente um amigo com quem possa compartilhar o amor por livros, edições e encadernações especiais e tudo mais.

Na versão brasileira do livro, a continuação de 84 Charing Cross Road, O Duquesa de Bloomsbury vem como uma segunda parte.

Em Duquesa, Helene após a publicação do primeiro livro, recebe o convite de ir para a Inglaterra para o lançamento da versão britânica e parte para o velho continente.

O livro vem como a realização de um sonho, de conhecer os lugares habitados por Dickens, Shakespeare e outros velhos conhecidos.

Acompanhamos o encontro de Helene com seus antigos correspondentes e fãs, os passeios e jantares e sua homenagem e até suas aventuras para se manter por algumas semanas em Londres com poucos tostões.

Helene, em ambos os livros, transita entre a solteirona mal humorada e a aventureira cômica. É uma personagem ótima e com certeza faz toda a diferença tirando boas risadas em toda a leitura.

É um livro para amante de livros! Então se esse é seu caso, não hesite!

A dificuldade fica em encontrar o livro, a edição publicada pela LTC já não está mais disponível e fora do catalogo da editora há anos. As poucas opções em sebos não são baratas e restam os pockets em inglês.

Uma adaptação de 84 Charing Cross Road foi transformada no filme Nunca te vi sempre te amei com Anne Bancroft como Helene e Anthony Hopkins no papel de Frank em 1987.

Preciso dizer que recomendo? Acho que não né.

The Sleeper and The Spindle (A Bela e A Adormecida) de Neil Gaiman

Neil Gaiman há algum tempo começou a revisitar histórias clássicas e foi colocando seu toque fantástico aqui e ali.

Por algum motivo demorou até que eu realmente notasse o livro, mas a primeira vez que coloquei as mãos nele, foi amor a primeira vista.  O livro capa dura, vem com uma sobrecapa transparente que complementa a capa. Ele é todo ilustrado (impresso em papel couchê) por Chriss Ridell com a sua tradicional ilustração tricolor dessa vez em preto, branco e dourado. O que dá um toque a mais nesse acabamento de luxo.

Não é um livro para causar polêmicas, mas sim para quebrar tabus.

Nossa protagonista é talvez uma das mais frágeis das princesas (agora rainha) com sua pele branca como a neve, mas como sempre, as aparências enganam. A Branca de Gaiman é ousada, corajosa, independente, sabe o que quer e nesse momento ela quer ajudar seus súditos.

As vésperas de seu casamento, Branca fica sabendo através dos anões que uma praga assola o reino vizinho, todos estão caindo sob a maldição do sono que mantem a Bela Adormecida aprisionada em seu castelo.

Sem pensar suas vezes ela veste sua armadura, pega sua espada, sobe no cavalo e parte para a aventura com 3 anões ao seu lado.

O livro é curto, praticamente um conto, mas tem o peso de um romance.

A abordagem nada convencional de Gaiman deixando o príncipe no banco de reserva e mandando a garota para a aventura dá um frescor a narrativa a cada decisão tomada pela protagonista. Ele fez algo parecido em Fortunately, the milk, onde o pai de duas crianças vive aventuras inimagináveis para levar o leite para casa e colocar no cereal dos filhos.

Uma constante na obra do Gaiman é a reinvenção.

Por mais que seja um dos meus autores favoritos, cada livro é diferente do outro, e eles sempre surpreendem! E o que me conquistou nesse livro foi o fim surpreendente.

Não pense que por conhecer a história da Branca de Neve ou da Bela Adormecida você já sabe o que te espera. Gaiman é o senhor das tramas e consegue nos enganar direitinho, finge que está indo para um lado e quando você percebe está do lado oposto.

Completamente Girl Power!

O polêmico beijo

Uma das ilustrações centrais do livro é a cena em que a bela adormecida é despertada por um beijo da Branca.

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Muitos censuraram a cena antes mesmo de saber do que se tratava, e quem só leu o livro por causa dela criticou Gaiman por não ser exatamente o que esperavam.

A cena existe, mas também há um contexto! Mas para saber mais sobre isso você vai ter que ler o livro. É uma parte muito interessante da trama. O desenrolar da historia dentro do quarto da Bela Adormecida é sensacional.

Eu, mais do que fã declarada dessa dupla incrível que é Neil Gaiman e Chris Ridell, esperava que fosse um livro incrível e ele conseguiu ser mais que isso. Com o acabamento impecável ele é definitivamente uma obra de arte para se ter na estante.

Minha edição é a importada publicada pela Bloomsbury, mas ela já está disponível em português pela Rocco (Na Amazon, Saraiva e Submarino) já estive com a edição nacional em mãos e posso dizer que ficou tão boa quanto a importada.

Dessa vez a Editora Rocco caprichou no acabamento.

Se quiser matar um pouco da curiosidade a Editora disponibilizou uma amostra AQUI.

Quadrinhos Nacionais (mais que excelentes) de 2015

Logo após a CCXP fiquei pensando em todas as preciosidades que nos cercam e que mesmo assim não temos ideia de que estão logo ali. Então assim surgiu esse top 5 de Hq’s que nesse ano me surpreenderam e me deixaram extremamente orgulhosa de poder dizer que são NACIONAIS! E que todos vocês precisam conhecer!

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– Quadrinhos A2 I, II e III – Cris Eiko e Paulo Crumbim

Quadrinhos A2 é nada mais, nada menos do que um quadrinho biográfico desses dois artistas incrivelmente simpáticos.

Acompanhamos o dia a dia de criação, publicação dos quadrinhos e claro do cotidiano domestico dessa dupla incrível com a participação memorável do cãozinho Pino.

A HQ tem um estilo Chibi, com cenas dramáticas num traço rápido e bem caricato.

Definitivamente leitura obrigatória!

 

– Petalas – Gustavo Borges e Chris Peters

Pétalas é uma caso a parte! Um quadrinho para emocionar se dizer uma palavra se quer.

A trama gira em torno de um filho que cuida do pai e um curioso estranho que ele encontra na floresta durante uma nevasca. É uma dessas fábulas geniais de solidariedade e por mais que os personagens sejam retratados como animais, nunca vi seres mais humanos!

Definitivamente uma história para aquecer nossos corações!

 

– Mayara e Annabelle 1 e 2 – Pablo Casado e Talles Rodrigues

Agora é outro nível de excelência!

Mayara e Annabelle é tudo aquilo que eu sempre quis ler numa HQ nacional e sobrenatural.

Aqui temos duas meninas porretas (uma de SP e uma do CE) unidas pela Secretaria de de Controle de Atividades fora do Comum para lugar contra ameaças sobrenaturais de todo tipo.

Uma grata surpresa foi o modo como a cultura brasileira foi integrada na HQ com naturalidade e maestria. O roteiro deixa a gente sempre querendo mais com muitas cenas de ação e tiradas comicas sem igual!

Pra mim, foi uma das descobertas do ano! Foi mais que um prazer apoiar o lançamento do Volume 2 pelo Catarse e mal vejo a hora de colocar as mãos no volume 3.

 

Sobrenatural Social Clube #1 – Ronaldo Barata

Me deparei com a hq assim meio sem querer e acabei encontrando um pedaço da infância.

A Hq ao melhor estilo de aventura conta a historia de 3 amigos que sofrem bullying na escola mas se divertem em seu próprio mundo fora dela.

Após uma série de desaparecimentos na cidade eles começam a perceber que o que parecia ser uma brincadeira da infância aparentemente é a pura realidade.

Seres sobrenaturais, mistérios, mapas, arquivos secretos… é só colocar Scooby Doo e Goonies no liquidificador que você já começa a ter uma ideia do que te espera.

Esse definitivamente é para todas as idades!

Incríveis técnicas e sabedorias para sair de uma Ressaca Literária

Quem nunca? Ressacas literárias são comuns… se você ainda não teve, acredite, vai ter! Essas coisas acontecem…

Então hoje um pequeno vídeo compartilhando as técnicas mais malucas e mirabolantes para sair da ressaca e voltar a ler de maneira saudável e feliz \o/ ou não… depende!

 

Assista ao Vídeo

Se os sintomas persistirem… o bibliotecário deverá ser consultado!

Darth Vader e Filho e A Princesinha de Vader de Jeffrey Brown

Publicado em Abril de 2012 nos Estados Unidos Darth Vader e Filho vem, desde então, arrancando suspiros de fofura por onde passa. E graças ao sucesso em Abril de 2013 também foi lançado a Princesinha de Vader.

Os livros tem um formato semelhante ao de tirinhas e é diversão garantida!

A premissa é simples! E se Vader tivesse criado os filhos após a morte de Padmé? Como seria criar duas crianças dentro da estrela da morte… ou pior, adolescentes. Como ele trataria os namorados de Leia, ou as estripulias do Luke?

Agora não precisa mais imaginar! Tá tudo aqui! \o/

Jeffrey Brown selecionou as cenas mais inusitadas para inserir os personagens e definitivamente criou o livro perfeito para apresentar a saga para os pequenos, enquanto você que é fã pode aproveitar as piadas.
E o diferencial fica realmente na piada interna, o autor conseguiu colocar referências a várias cenas dos filmes clássicos nas tirinhas transformando as vezes a piada em um desafio de memória.

A Aleph manteve o formato americano e a edição nacional não deixou nem um pouco a desejar em relação a importada!

Você encontra Darth Vader e Filho AQUI  e A Princesinha de Vader AQUI.
Recomendo sem contra indicações!
Lá fora a série já conta com mais dois títulos: Goodnight Darth Vader e Darth Vader and Friends.

Quem sabe a Aleph não trás mais novidades por ai 😉